“ O pintor Dordio Gomes nasceu em Arraiolos (Alto Alentejo) em 1890 e
matriculou-se no curso de Pintura Histórica da Escola de Belas – Artes de
Lisboa em 1902.
Obteve no curso vários prémios escolares e em 1910 concorreu à bolsa de estudos
no estrangeiro, conquistando a primeira classificação.
Em todo este longo período o artísta
viveu na sua terra natal, e ai, só, sem qualquer estímulo, realizou as suas
primeiras obras: quadros de feição regionalista, que se encontram hoje, na sua
maioria, em vários museus portugueses, e que reflectem um estado de alma em
completa letargia, vivendo à margem dos grandes problemas das artes plásticas
que preocupavam os artistas e os críticos.
A segunda permanência em Paris
durou de 1921 a 1926. Durante esse período o pintor conheceu grande parte de
França, a Suiça, a Bélgica, a Holanda e a Itália.
A marca deixada por estes cinco anos de fremente inquietação foi decisiva na
sua vida e obra.
As tonalidades calmas,
sombrias, a que também não foi estranha a nostalgia alentejana, mórbida e doce
das grandes planícies, deu lugar a uma agitação, a uma violência de colorido e
de forma por vezes excessivamente brutal e de limitado sentido plástico.
A serenidade e a cordura perderam-se para sempre, sucedendo-lhes uma
caligrafia áspera, bárbara, com certos plebeísmos de forma e de desenho. O
arabesco e a cor dominaram, e o cubismo exerceu nele a sua perturbante
fascinação, embora nunca fosse um cultor convicto dessa corrente da arte
moderna.
Com o regresso a Portugal em 1926,
recomeça uma nova fase da sua pintura, e durante quatro anos trabalha na
decoração do salão nobre dos Paços do Concelho da sua terra, para o qual
realiza, pelo processo do óleo sobre tela, onze painéis, ainda de assuntos
regionalistas, como se pode ver alguns dos painéis nas foto mas já com grande violência de cor, a que não é
estranha a influência de Cezanne.
Desta época ficaram ainda algumas tentativas de gravura em madeira, com destino
a uma edição das Memórias da Vila de Arraiolos, do seu conterrâneo ilustre
Cunha Rivara, obra notável, que se conserva inédita na Biblioteca Pública de
Évora.
Em 1933 concorreu à vaga de professor de Pintura na Escola de Belas – Artes do
Porto, cargo de que tomou posse em Março de 1934.”







As duas últimas fotos retratam o tecto da sala Dordio Gomes.
Coordenadas: 38º43´31.46"N
7º59´05.44"O
Fonte: http:\\www.cm-arraiolos.pt/dordio_gomes/dordio_gomes.htm - 2005/8/19